Sinopse
Onde a Terra Guarda o Tempo é uma ode poética às aldeias do interior de Portugal, onde o tempo parece ter parado para guardar na memória os gestos, os rostos e os silêncios de um povo que resistiu, e persiste, com dignidade.
Com uma escrita que mistura o lirismo da saudade com a crueza do quotidiano, Ilídio Trindade oferece-nos um romance memorialístico e uma crónica de costumes, num mosaico de histórias onde a realidade e a ficção se entrelaçam.
Através da aldeia fictícia de Combadinha, o autor evoca a infância, os rituais, a dureza da vida rural, as personagens singulares e os episódios que marcaram uma geração entre a dureza da lavoura e a riqueza da convivência comunitária.
Num tom terno, por vezes bem-humorado, noutras profundamente emotivo, o livro é um retrato afetuoso de um Portugal que já quase só vive na lembrança e nas páginas daqueles que se atrevem a eternizá-lo.
Um livro para ler e para escutar com o coração. Como quem se senta à lareira a ouvir contar...
Sobre mim
Nasci em 1961, em Santa Comba Dão, e foi na aldeia de Treixedo que vivi a infância, entre cheiros de giesta, vozes de gente simples e os silêncios cheios de histórias. Esses primeiros anos moldaram o meu olhar e ensinaram-me que há terras onde o tempo não passa. Apenas se transforma em memória.
Sou professor do ensino secundário desde 1984, formador, avaliador de professores, orientador pedagógico e professor cooperante no plano de estágio supervisionado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Ao longo da vida, tenho procurado cruzar o saber com o compromisso: criei e dirigi o MUP, um dos primeiros movimentos de professores, e continuo a acreditar numa escola pública com alma, exigência e justiça.
A minha estreia literária aconteceu com Era para Ser Só uma Festa de Natal (2024), uma obra solidária que conquistou leitores e instituições, e que teve o prefácio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Com Onde a Terra Guarda o Tempo, regresso às origens, não para as idealizar, mas para as guardar. Este livro nasceu da urgência de fixar o que o tempo ameaça levar. Não escrevo apenas por gosto, escrevo por dever: o dever de escutar, de lembrar e de dar voz às vidas que raramente entram nos livros. Escrevo com o ouvido colado à terra, como quem recolhe sementes antigas para que não se percam.
Acredito que as histórias não morrem, somente adormecem ficando à espera de quem as saiba ouvir.